Coração de Tróia (2002)

by Dance of Days

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about

Gravado, mixado e masterizado em Julho e Agosto de 2002, nos Estúdios El Rocha, São Paulo.
Produzido por Fernando Sanches e Dance of Days.
Todas as letras e harmonias vocais por Nenê Altro.
Músicas 2, 5, 7, 8 e 10 por Nenê Altro, músicas 1, 3 e 4 por Nenê Altro e Tyello e músicas 6, 9 e 11 por Tyello.
Todos arranjos finais por Dance of Days.
Foto da capa por Jozzu.
Arte de capa por Tomas Spicolli (7 Magníficos).

Dance of Days, nessas gravações, tinha a seguinte formação:
Nenê Altro – Vocal
Marcelo Verardi – Guitarra
Tyello – Guitarra
Júlio – Bateria
Maurício Vieira – Baixo

credits

released July 1, 2002

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license

all rights reserved

about

Dance of Days São Paulo, Brazil

Rock paulista na estrada desde 1997!

Nenê Altro – Vocal
Marcelo Verardi – Guitarra
Adriano Parussulo – Baixo
José Junior – Bateria


Para shows escreva: shows@danceofdays.com.br ou envie whatsapp para 11963650960

Imprensa: imprensa@danceofdays.com.br

Agenda: danceofdays.com.br
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Track Name: Macaco Com Navalha
Golias ao chão,
quebrou seus dentes e
não pode respirar
com tanto pó a cobrir
seu rosto encardido.

Golias ao chão!!!

E agora que as estrelas
despencaram do céu
qual pérolas aos porcos
e você se vê
com os braços enfiados no esterco
buscando o que perdeu...
quem vai erguer as torres?

Roma está em chamas
e a carne viva
não te deixa esconder
a culpa ao amanhecer.

Lâminas nos olhos,
a dor é demais.
Quantos dentes tem
sua honestidade?
O sinal se foi...
Ninguém vai te ouvir...
Deus está ocupado,
tente ligar mais tarde.

As listras que ama
tampam sua visão.
Rastejando em pânico
na multidão,
tenta recolher as pressas
seus remédios no chão.
Enquanto a lama os dissolve
qual deles vai salvar?
O que alivia a dor
ou o que te faz sonhar?
Como ter a certeza de
uma escolha justa?
Quem vai torrar nas pontes?

Roma está em chamas
e a pólvora nos dedos
não te deixa esconder
a culpa ao amanhecer.

Lâminas nos olhos,
a dor é demais.
Quantos dentes tem
sua mentira?
E ai está você
cobrindo com bandeiras
as fraturas expostas
nas avenidas.

Em Babel
Aquiles ergue seu troféu
a Napoleão,
imperador do mundo

Os anjos a quem
estende as mãos
te cospem na cara.
O sistema não mais
reconhece tua voz...
Quantos corpos empilhar
para conhecer caminhos ao céu
que te deixem ver
Saturno a devorar
os próprios filhos?

As colunas tombam,
o indivisível partiu
e ninguém serve café...
o Zigurate caiu
e o Super Homem sem pernas
não pode mais correr!!!
Track Name: Nos Olhos de Guernica (um curto verão em la mancha)
O cavaleiro errante avança
com o coração em chamas.
Seu escudeiro não diz uma palavra.
Os gigantes de pedra aguardam
jogando cartas.
- Avante!
- Avante!
- Estou aqui pra lutar!

Sprays na parede dão a nova ordem.
Garrafas acesas de ódio e napalm
queimam as flores de Vandré no jardim.

Dulcinéia, oh doce princesa,
me perdoa por perder a vida
em luta com dragões no mar.
Me desculpa por bater os braços
e afundar ao ver que nunca soube nadar.

!Ya Basta!
O verão acabou
quando Durruti ficou sem munição
e Guernica tornou-se a maldição
que nem mesmo Che soube como controlar.

E quem vai pagar
agora que teu olhar só mira ao céu
e teus lábios são tão frios criança...

Então escalei tanques em Pequim
e ainda assim não pude ver
se você estava ali na multidão.
Li todos versos de Brecht
e não encontrei mensagens e recados
pra fugir outra vez
ao quarto onde o grande irmão
não pode nos ouvir e
nada mais importa, só você aqui
enquanto a primavera arde
por toda Paris.

São portões fechados
que não te deixam entrar.
Teus irmãos te trancaram pra fora
e agora também jogam
cartas com o diabo.
E, você sabe,
a noite os lobos saem pra jantar...

O monitor acende o nome,
os jornais tem a sua foto
e os intelectuais romantizam
sobre dias que nunca verão.
Os comitês votaram outro protesto,
os estudantes voltaram,
o feriado acabou
e seu corpo ficou esquecido ao chão.
Track Name: Correção
Correção -
Não deves compreender a ida.

Acorda cedo...
Acorda pra ver
quanto tempo perdeu
com tanta areia na vista.
O corpo decompõe...
o corpo decompõe aos poucos
e não há nada que devolva
a sensação de ainda
termos tanto a viver,
termos tanto a ver
com correntes nas pernas
e a boca em xilocaína
não deixando saber...
não deixando sentir o gosto
das sobremesas pelas quais
trocamos nossas vidas.

Correção -
Em "dialética materialista"
erguemos estátuas faraônicas
que representam
arquétipos da satisfação
em versões que
não rodam em Linux
e que não vão deixar teu acesso
ultrapassar a segurança da rede.
O que farias ao constatar
que a Dolly de Jeová
tem o DNA de Gates e Lênin
e que curamos a revolução sexual
com sarcomas de kaposi,
nosso quintal armazena
teus erros e acertos...
e que brindamos ao mesmo
"O Capital" estudado em Harvard
e pelo qual reciclamos
utopias em petróleo.

Pandora, agora é tarde demais...
O Zyklom B está por toda parte
e estáticos frente a comerciais
movemos dínamos e engrenagens:
Trabalhar e prosperar,
estudar e alcançar
o nirvana patriarcal...
Aprender a processar
e a parcelar as dívidas.
Kafka, morfina e Anthrax.

Correção -
Música popular
deve anestesiar as mentes
em refrões atóxicos...
Track Name: Horizontes de Outono
Cada vez que te encontro eu me perco em devaneios
na embarcação que me leva, sem destino, ao oceano destes dias
em que avistei tantos portos,
que meu diário de bordo é incapaz de saber dizer
quanto tempo faz que eu nem sei se eu, eu nem sei se vou saber mais voltar.

Meu encanto se foi com o vento e partiu-se em pétalas
que dançam ao redor de teu farol, a implorar pelo apreço de teu olhar
quando o orvalho em que minha nau navega
não pode mais esconder ser das lágrimas dos anos que perdemos
mudando nossos rumos e rasgando nossas velas pra prosseguir a esmo.

E é fato que não sabemos se voltaremos a encontrar
o que deixamos o tempo ruir fechando os olhos.
Mas mesmo assim eu queria tentar.

Náufrago com o corpo cansado, no breu aguardo a tempestade decidir
se me atira outra vez as tuas praias, ou se enfim me leva às rochas
pra descansar.

E é tudo tão covarde, deixar morrer as chances
por medo que barcos de papel não suportem as cargas clandestinas
que fingimos não acumular com o tempo.
E é tudo tão impossível que ateamos fogo nos remos.